sábado, 3 de janeiro de 2009

A Convivência e a Conveniência

"Rubião era homem rico e tinha muitos amigos. O mais próximo se chamava Cristiano e Palha, um burguês decadente, marido da mais bela mulher fluminense da epóca. Sofia, apesar de detestar Rubião, sabia que era conveniente mantê-lo perto para que seu marido fraudasse-o e saísse da penúria. Durante todo o romance, a fortuna de Rubião passa às mãos de Cristiano que retribuí deixando o "amigo" só, louco e pobre".

Machado de Assis em seu romance Quincas Borba, demonstrou como é conveniente que as pessoas se unam em determinadas ocasiões. O escritor, ao meu ver, não acreditava na sinceridade do homem ao passo que em suas obras, mostrou friamente várias atitudes muito parecidas com a hipocrisia humana atual.

É triste constatar isto mas vivemos uma uma vida de interesses. Você é um bom amigo enquanto puder ouvir os outros, enquanto for agradável, enquanto for conveniente estar com você. Quando por um motivo ou outro você não atinge as espectativas, a solidão te atravessa como um dardo. É meio-dia em sua vida e a face do outro te contempla como um enigma.
Vocês conversam, mas os assuntos não se encontram.

Nada mais é comum.

E assim é decretado o fim de uma grande amizade.

Entretanto a vida não pode ser assim tão trágica.
Nesta hora, a vontade de sentir útil a outros renasce em você, é hora de conhecer novos lugares, novas pessoas com necessidades e afinidades diferentes. Algum tempo depois, você encontra aquele velho amigo e percebe que era tudo parte de um jogo e que ninguém tinha culpa do que houve.




E tudo termina como uma História de Folhetim.
Para ser lembrada num bar, numa rua, no congestionamento ou naquelas
horas que a vida trás a tona bons momentos.

E este é o ciclo da vida.


*Existem excessões*.

"Até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer,
não olhe para atrás, apenas começamos". [RR]

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